terça-feira, 21 de julho de 2009
EDITORIAL DO "QUATRO"
Errado. Não paramos. Continuamos envolvidos com nossas pautas, estudando os assuntos, apurando os fatos, checando as informações e entrevistando as personagens. Tudo isso para que cada um de nós pudesse entregar um texto que, não importa o que diga o STF, é a essência do jornalismo: uma reportagem.
Jornalismo não é colunismo de opinião. Não é ser especialista em um tema específico. Ser jornalista é ser repórter. É ter um olhar diferente sobre aquilo que nos cerca, para que possamos apresentar uma visão ampla do assunto abordado. É pautar, estudar, apurar, checar e entrevistar e, com o prazo quase estourado, escrever algo que qualquer pessoa possa compreender. E é saber que no dia seguinte terá que fazer isso de novo, mas sobre alguma coisa completamente distinta.
O Quatro é isso, uma série de reportagens sobre os mais variados assuntos. Elas são fruto do trabalho de uma raça que, de acordo com a decisão do STF, deveria estar a caminho da extinção: estudantes de jornalismo. Nenhum de nós, aliás, é especialista sobre o que escreveu. Queremos ser especialistas sim, mas em escrever. Sabemos, porém, que ainda estamos na metade do caminho.
domingo, 12 de julho de 2009
ENSAIO: GILMAR MENDES E O JORNALISMO
No dia 17 de junho de 2009 o Supremo Tribunal Federal extinguiu a exigência do diploma de ensino superior em jornalismo para o exercício da profissão. Com oito votos a favor e apenas um contra, a obrigatoriedade foi considerada inconstitucional. A partir de agora, portanto, as empresas de comunicação não precisam mais contratar apenas profissionais com formação específica na área, coisa que, na realidade, já vinha acontecendo há tempos.
À parte da classe jornalística e da opinião pública desagradaram bastante os argumentos utilizados pelo presidente do STF, Gilmar Mendes. O ministro defendeu seu voto, favorável à extinção, apontando que não há ciência no jornalismo, o que invalidaria a formação acadêmica como critério obrigatório para o ingresso no mercado de trabalho. No ápice de sua sustentação oral, Mendes comparou a formação jornalística a de um cozinheiro, deixando transparecer que ela seria desnecessária.
No fim das contas, o que o ministro Gilmar Mendes fez foi escancarar uma visão corrente na sociedade: qualquer um pode ser jornalista. Em tempos de internet, blogs e do culto ao amadorismo, essa idéia ganha cada vez mais adeptos e, diante da incapacidade da classe jornalística em demonstrar o quão equivocada ela é, tende a ganhar força com a decisão do STF. Em termos jurídicos, inclusive, não há mais medidas a serem tomadas, já que a sentença foi em última instância. Cabe-nos, agora, apenas a reflexão e a busca da competência, a fim de reforçarmos a importância da formação acadêmica em jornalismo.
Mais do que questionar o voto do ministro, sob suspeita de ter sido feito por influência dos grandes grupos de comunicação brasileiros que defendiam a queda da obrigatoriedade do diploma, nós, jornalistas e estudantes de jornalismo, devemos investigar as causas de a situação ter chegado aonde chegou. A abordagem sistêmica, a análise do todo e a observação diferenciada da realidade, por nós defendidas como resultado do aprendizado universitário, podem nos fornecer as chaves para entender o que se passa com o jornalismo atual, dito constantemente em crise.
É notável como foi perdida a referência sobre qual é a verdadeira essência do jornalismo: a reportagem. Numa época em que vemos o jornal mais vendido do país, a Folha de S. Paulo, veicular anúncios na televisão em busca de assinantes personificando os valores jornalísticos em seus colunistas, o trabalho do repórter parece estar ficando em segundo plano. Em sua argüição, o ministro Gilmar Mendes apontou que não se poderia proibir profissionais de diferentes áreas de discorrerem sobre estas nas páginas de um jornal, no rádio, na televisão ou na internet. De fato, ele está correto. O ponto, porém, é que essa não é a função primordial do jornalismo e, ampliando a esfera de abordagem, não é o que aprendemos na universidade.
O treinamento jornalístico, em si, gira em torno da elaboração de reportagens, matérias. Somos instruídos a não darmos a nossa opinião sobre o que estamos escrevendo, apenas a apresentarmos os fatos e deixar que o leitor tire suas próprias conclusões. Em suma, a nossa visão pessoal do tema não interessa. Justamente o oposto da visão corrente, que aqui continuarei a personificar
O jornalismo científico, ou seja, aquele que aborda a física, a química e a biologia, com suas subdivisões, costuma ser usado como exemplo da eficácia do especialista em detrimento do jornalista. Ora, se é pra falar de física quântica, que se contrate um físico. Alguns problemas se apresentam a partir dessa conclusão. O primeiro deles é que o cientista provavelmente não teve treinamento de texto jornalístico e, embora possa obter bastante sucesso com a elaboração de um artigo numa revista científica lida apenas por seus pares, terá enorme dificuldade em se fazer entender pelo leitor comum, leigo nos assuntos de sua área. Aqui cabe um adendo: o jornal é um meio que tem amplitude, ou seja, ele deve ser compreendido da primeira à última linha por um sujeito que só se interessa pela cobertura esportiva, por exemplo. O segundo problema é relacionado à ética e o respeito à pluralidade de pensamento: por estar envolvido diretamente com a área sobre a qual vai escrever, o cientista pode fazer parte de alguma corrente filosófica ou ter algum tipo de comprometimento profissional que impeça uma completa isenção. Não há problemas quanto a isso numa coluna assinada, mas uma matéria jornalística estaria ferida de morte com essas premissas.
A confusão se apresenta em mais um dos argumentos do presidente do STF, utilizado também em editoriais de grandes jornais: a obrigatoriedade do diploma seria uma afronta à liberdade de expressão. A absoluta incoerência com outro ponto, a de que o jornalismo preciso se adequar aos novos tempos da internet, não pode passar despercebido. A instituição de blogs, fóruns eletrônicos e sites como um todo parece ser o bastante para tornar anacrônicos meios como a televisão, o rádio e, o que se apresenta como centro da crise, a mídia impressa, mas não são suficiente para garantir ao cidadão comum que sua voz seja ouvida. Não, é preciso que se disponibilizem justamente os tais meios anacrônicos, livres agora de qualquer amarra burocrática.
Pois bem, que se contrate qualquer um para pautar, apurar, checar e produzir um texto para qual seja o meio, lembrando que nesse meio tempo é necessário lidar com fontes, fazer conexões temáticas, dialogar com diferentes abordagens, enfim, pensar uma matéria jornalística. Não, é claro que isso não vai ser feito, ao menos pelos grupos de comunicação que acreditam ter uma reputação a zelar. Se bem que foram eles os principais defensores da queda do diploma. Divago, porém. O ponto aqui é a próxima vítima da sanha reformista do jornalismo brasileiro por parte dos juristas da suprema corte: a regulamentação da profissão. Gilmar Mendes, sempre ele, já declarou que sem o diploma não faz sentido que ela exista, bem como o registro profissional. A salvação parece estar no legislativo, que deve receber em breve o novo texto das regras, elaborado pelo Ministério do Trabalho, para analisar e votar. Quem sabe dêem uma olhada na questão do ingresso na profissão. De qualquer forma, ela deve apontar rumos que certamente mostrarão ao tal “qualquer um” que a coisa não é tão simples assim.
Que fique claro que aqui não se faz uma defesa do diploma em si, como uma garantia de qualidade profissional. O papel recebido pelo estudante em sua formatura representa algo muito mais relevante, que é a bagagem acadêmica. A universidade coloca o futuro jornalista em contato com uma série de itens e situações aos quais normalmente ele passaria ao largo e que o preparam de forma mais adequada ao exercício da profissão. A literatura especializada e a exposição da técnica são as que inicialmente saltam aos olhos, assim como o contato direto com ferramentas e metodologias dos diferentes meios de propagação da informação. A isso se chama treinamento. Há, porém, ativos menos tangíveis, como a convivência, e a conseqüente cobrança direta e indireta, com os colegas, que gera a pressão saudável da melhora constante da qualidade da produção. A isso se chama aperfeiçoamento.
Outro aspecto a se considerar no rol de pontos favoráveis à formação acadêmica é a questão da vocação. Mais do que um conceito de conotação psicológica, para alguns até esotérica, ela é importante no desenvolvimento de talentos e habilidades ligados à vida profissional. Há que se levar em conta que alguém que define que vai dedicar quatro anos, e um bom dinheiro em alguns casos, a estudar os fundamentos de uma profissão deve, no mínimo, ter um bom interesse nela. Dessa forma, o nível de comprometimento com as práticas e com a profissão em si ganha um acréscimo considerável. E o bom jornalismo só se faz com respeito aos valores que o permeiam. Ademais, numa visão um pouco mais romântica, a paixão pelo jornalismo é sempre citada como um diferencial do bom repórter. Tudo isso gera a vontade de aprender mais, não só de apenas ter um diploma que indique que ali está um jornalista formado. O caminho é mais importante que o fim nessa caminhada.
Gilmar Mendes parece não saber disso. Ao apontar que qualquer um pode ser jornalista, indica que basta querer escrever uma coluna num jornal para que ali esteja um sujeito imbuído dessa paixão. Não falemos
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
LER, LER, LER...
Já para descrever "Até o dia em que o cão morreu", de 2003, romance de estréia de Daniel Galera, fica difícil fugir de clichês como minimalista ou contemplativo. O texto em si, porém, foge dos clichês e foca na vida interior do narrador da história, pois na exterior não há muito acontecendo, a não ser uma modelo e um cachorro. Invadido por estes últimos num momento que sua vida se encontrava num limbo entre a adolescência e a vida adulta, o narrador vai descrevendo sua evolução de forma bastante realista e sem forçação de barra, criando uma ligação emocional com o leitor. E o texto flui com facilidade, numa leitura agradável, porém reflexiva. Daniel Galera é um escritor da nova geração, que teve origem na internet e agora vai colocando suas asinhas de fora, além de trabalhar com tradução de autores como, por exemplo, Hunter S. Thompson. O livro também foi adaptado para o cinema recentemente, sob o nome "Cão Sem Dono", com direção de Beto Brant (de "O Invasor") e obteve boa recepção da crítica.
No fim das contas, até que os livros têm algumas coisas em comum. Ótimas leituras!
terça-feira, 11 de setembro de 2007
EU TAMBÉM QUERO FECHAR A BEIRA-MAR
1. Parada do Orgulho Macho:
Mulheres seminuas, cerveja gelada a rodo e partidas de futebol. Mais nada. E precisa mais?
2. Manifestação do Cansei:
Parece que o movimento ainda existe e eu acho que seria legal dar uma força.
3. Manifestação da Militância do PT:
Parece que o movimento ainda existe e eu acho que seria legal dar uma força.
4. Manifestação do Movimento Estudantil da UFSC:
Parece que o movimento ainda existe e eu acho que seria legar dar uma força.
5. Reunião Anual dos Ex-Jogadores de Avaí e Figueirense:
Com os cinqüenta e poucos pernas-de-pau que passam pelo elenco de cada um dos times todos os anos, seria um evento enorme e proporcionaria o encontro das torcidas com seus velhos desconhecidos.
6. Arrozada do Volpato:
Pra reunir a rapeize que não tem dinheiro pra ir na Feijoada do Cacau. Os que têm dinheiro, mas não vão porque têm senso de ridículo, também estão convidados.
7. Movimento dos Moradores que Foram para a Praia, Viajaram ou Estavam Exercendo seu Direito de Ir e Vir e Agora Só Querem Chegar em Casa Rapidamente:
Nah, deixa pra lá, esse não teria respaldo da prefeitura.
8. Passeata "Eu Lembro da Moeda Verde":
Quase que eu esqueço desta...
Estou aberto a sugestões. Não tão aberto a ponto de ir na parada gay, mas estou aberto.
P.S.: Antes que me chamem de homofóbico, preconceituoso ou bicha enrustida, é bom dizer que o que me emputeceu foi fechar a principal via de escoamento de uma cidade que tem um sistema de transporte público arcaico e poucas ruas para desviar o trânsito. Num domingo. Num fim de feriadão! Poderia ser a Parada das Coelhinhas da Playboy, mas que fosse feito no calçadão da Felipe, na Hercílio Luz ou no maldito sambódromo, enfim, em qualquer área não-residencial, não na Beira-Mar.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
terça-feira, 4 de setembro de 2007
POP-ART
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
PREFEITURA PHILCO
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
O MÚSICO, EM "TOCA AQUELA!"

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Estreando mais uma novidade para seus dezessete leitores, o blog traz a inédita parceria entre este que vos fala e Felipe Nicolazzi, vulgo Mingo, o único sujeito com algum talento artístico na família. Algum não, muito! A idéia é publicarmos tirinhas quinzenais com as aventuras desse personagem acima, provisoriamente chamado de "O Músico" (obs: não, nada a ver com o Prince), pela noite e o mundo musical. Eu faço os roteiros e o Felipe os desenha. Simples assim. Como é um assunto que ambos dominamos, deve render algumas historietas.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
GRANDES CROSSOVERS CINEMATOGRÁFICOS QUE GOSTARÍAMOS DE VER
Originalmente publicado no site Floripa Hoje, em março de 2006.
Exterminador do Futuro II x Conduzindo Miss Daisy
Um ciborgue (Arnold Schwarzenegger) é enviado do futuro para proteger e ser o motorista de uma velhinha insuportável (Jessica Tandy), que será a líder da revolução dos humanos contra as máquinas. Cena memorável: o ciborgue, cansado de ser xingado e importunado, joga a velha num caldeirão de metal derretido.
Cidade de Deus x Pulp Fiction
Dois assassinos, Mané Galinha (John Travolta) e Zé Pequeno (Samuel L. Jackson) são o centro de uma rede de histórias paralelas, que ocorre numa favela do Rio de Janeiro e envolve muita violência gratuita e muitos diálogos desnecessários. Cena memorável: os assassinos debatem diferenças culturais das favelas cariocas: - “Por exemplo, sabe como eu sou chamado lá Morro do Alemão?” –“Eles não te chamam de Dadinho?” –“Não, Dadinho é o c...! Me chamam de Zé Pequeno, p...!”
Titanic x Ghost
Uma velhinha (Gloria Stuart) relembra o amor da sua vida, que jaz no fundo do mar junto com o Titanic. Cansada de apenas lembrar, decide contratar uma médium charlatona (Whoopi Goldberg) para fazer contato com seu amado no além. Cena memorável: numa sessão espírita, todos fazem navios de argila, ao som da Celine Dion cantando “Unchained Melody”, até que o espírito de Jack (Leonardo DiCaprio) aparece, dá uma olhada pra velhinha e diz: -“Pô, achei que eu ia encontrar a gostosinha da Kate Winslet! Fala sério! Fui!”.
Closer x Náufrago
Escritor de obituários (Jude Law) é o único sobrevivente de um acidente de avião, numa ilha deserta. Lá conhece duas bolas de vôlei e se apaixona perdidamente por ambas, mas sofre muito por não conseguir decidir com qual delas ficar. Um belo dia, um médico (Clive Owen) chega de lancha e come as duas bolas, para depois fugir com uma delas e fazer a outra desaparecer. Cena memorável: o escritor, ao som de “É isso aí” de Ana Carolina e Seu Jorge, fica a ver navios. Metaforicamente, pois não há nenhum que passe pela maldita ilha.
O Chamado x O Sexto Sentido
Psicólogo (Bruce Willis) morre e fica preso numa TV, mas não percebe. Um garotinho (Haley Joel Osment) é o único que pode vê-lo e o convence a gravá-lo numa fita, para que possa passear por várias TVs. Quando descobre que está morto, o psicólogo decide sair das TVs para matar todo mundo que assistiu à fita. Cena memorável: quando tudo parecia resolvido, o garoto, com o nariz sangrando, fala para sua mãe (Naomi Watts): -“Você não entende mamãe? Eu vejo pessoas mortas na TV!”
Caseiro (Tom Hanks) é testemunha ocular e ocasional dos principais eventos do governo Lula, ao mesmo tempo que não consegue esquecer seu grande amor (Mel Lisboa), uma piranha que culpa os caminhos da vida pelas escolhas erradas que fez. Cena memorável: o caseiro, cortando grama, flagra sua amada na cama com um importante membro do governo, fica inconsolável e resolve contar tudo o que viu na CPI dos Bingos.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
PIADINHA CRETINA III
domingo, 12 de agosto de 2007
SEÇÃO PRESUNTO FRESCO - TONY WILSON (1950-2007)
Não por coincidência, Tony era jornalista. Trabalhou na TV britânica nos anos 70 e, a partir de um programa de artes e cultura em geral, foi um dos catalisadores da cena musical conhecida como Madchester, na cidade que você já deve ter adivinhado qual é, que teve como principais nomes o Joy Division, o New Order, o Happy Mondays, os Smiths, os Stone Roses e, mais tarde, o Oasis. Isso tudo num espaço de mais ou menos quinze anos. Tony descobriu e empresariou as três primeiras, empreitada que só lhe rendeu prejuízos, pois não as tinha sob contrato (ele não achava moralmente correto) e ainda financiava as turnês e as quantidades assustadoras de drogas que elas consumiam. Tony então resolveu que precisava de um lugar para suas bandas tocarem em Manchester e fundou o Hacienda, que talvez seja o clube noturno mais importante da história da música (empatado com o CBGB's), pois foi lá que nasceu a cultura rave. Na cinebiografia de Tony, "24 Hour Party People" (inédita em DVD no Brasil), esse momento é registrado quando as pessoas passam a aplaudir não a música, não o compositor, mas o DJ. Não sou fã de música eletrônica, mas há que se que reconhecer a relevância do fato, dada a importância cultural que os beats e bits têm hoje em dia.
O filme também registra outra passagem definitiva, na qual, mais uma vez, Tony Wilson foi coadjuvante: o primeiro show dos Sex Pistols em Manchester, considerado por muita gente o show mais importante da história do rock. Tony estava lá, junto com uma série de pessoas que saíram dali abobalhadas com o que tinham visto e resolveram mudar o mundo através do punk rock e da new wave. Ele acabou sendo o agitador desse pessoal todo, dedicando sua vida a ações financeiramente fadadas ao fracasso que se justificavam apenas pelo tesão pela música e pelo novo. Não se fazem mais sujeitos como Tony Wilson. Deve ser por isso que eu fiquei meio borocoxô.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
O DISCURSO ENVERGONHADO DA DIREITA
Não fosse a hipocrisia do discurso de largada, o tal "Cansei" seria bem interessante. Democraticamente, todos têm o direito de protestar contra aquilo que os prejudica, contra aquilo que os deixa descontentes. No caso, os caras cansaram do caos aéreo, das balas perdidas e de pagar tantos impostos. Justíssimo. Agora fica chato é travestir de movimento cívico, usando o velho chavão da cidadania apenas porque os cansados têm vergonha de assumirem que é, sim, um movimento com cunho político. Deviam dizer: "porra, nós movimentamos a riqueza desse país, queremos estar seguros seja voando ou nos nossos carros importados e queremos que os impostos que pagamos sejam revertidos em benesses para nós, não para esmolas para miseráveis!"
OK, talvez fosse melhor não usar esses termos. O grande problema é que, no Brasil, a direita é eternamente vinculada ao demônio, ainda mais agora com o novo nome do PFL. Tudo de mau que aconteceu no Brasil foi sempre jogado na conta da zelite. Então, a própria direita têm vergonha de se assumir como tal, mesmo quando tem boas idéias e realiza coisas interessantes. Veja as últimas eleições, por exemplo: em vez de usar aquela camisa ridícula com broches das estatais, por que o Alckmin não mostrou para o eleitor tudo de bom que proveio das privatizações do governo FHC? O tucanato com certeza achou que o povo era burro e não ia entender, mas bastava usar o telefone como exemplo; por que diabos o Nizan Guanaes não pegou dois pobres, um no sertão e outro em São Paulo, que hoje podem se falar tranqüilamente por telefone, dizendo que antes teriam que esperar três anos e vender a casa para pagar por uma linha? O primeiro passo para a direita voltar a ter espaço no Brasil é explicar ao eleitor a sua visão de país e porque, na visão deles, ela é melhor que o modelo petista. Apostar em movimentos camuflados, para mim, não vai dar em nada; vai ter o mesmo efeito prático que uma visita do Papa.
Aliás, da forma como as coisas estão sendo conduzidas, fica muito difícil discordar dos comunas que estão classificando o "Cansei" como a reedição do "Tradição, Família e Propriedade". A vermelhada, inclusive, diz que é um movimento golpista. Bobagem, não há mais espaço para golpes políticos no Brasil. Há, sim, muito espaço no Brasil para o debate democrático, ainda mais para a direita, que conta com os maiores meios de comunicação do país para expor seus pontos de vista. A Globo, por exemplo, vai ceder espaço para os cansados (em peças publicitárias criadas pelo Nizan, é óbvio). Por que não, então, apostar no discurso propositivo, respeitando a inteligência do eleitor médio brasileiro, que é capaz de receber e processar informações? É na classe média, a maior prejudicada pelo governo Lula, que a direita tem que focar. E deve começar se assumindo como direita, porque ninguém compra um produto cujo vendedor sente vergonha em demonstrá-lo.
P.S.: leia mais sobre o assunto no blog Cidadão Online (link ao lado).
segunda-feira, 16 de julho de 2007
O FANFARRÃO VENCEU
O que não pode acontecer é o colorado Dunga repetir os erros do Abel Braga e da direção do Internacional, que acharam que aquela atuação histórica iria se repetir em todos os jogos da temporada de 2007 e não reforçaram o time. Em termos de motivação, uma coisa é enfrentar o Barcelona, outra é enfrentar o Nacional do Uruguai e o Brasil de Pelotas e, assim, o Inter realizou campanhas bisonhas no primeiro semestre. Creio que o raciocínio é o mesmo: Dunga não pode passar a considerar o Júlio Baptista e o Vágner Love gênios e empombar de vez com Ronaldinho e Kaká, ainda mais com aquele discursinho medíocre de amor a camisa, que conta com apoio escancarado da Voz-Ofical para fazer a cabeça do povo. Ah, e eu acho que o Ronalducho tem vaga nesse time com uma perna amarrada.
Seria interessante que o eterno capitão do tetra analisasse bem o que aconteceu domingo em Maracaibo e entendesse que a sua visão maniqueísta de qualidade no futebol (jogar bonito é sinônimo de firula e de derrota vs. jogar feio é sinal de seriedade e de vitória) não é verdadeira. Ontem, o Brasil jogou bonito, mesmo sendo bastante defensivo; mais importante, jogou bem, postado de forma inteligente, anulando as qualidades de um adversário superior e tendo boa saída de bola e eficiência nos contra-ataques. O que muita gente pede é que a seleção brasileira se porte como seleção brasileira, que não jogue um futebol medroso e bagunçado contra adversários desqualificados. Interessante notar, também, que o time se postou melhor defensivamente com a entrada de jogadores mais ofensivos, Elano e Daniel Alves, no lugar de um dos volantes, Gilberto Silva. Espero que o Dunga também tenha percebido isso, embora a entrada do Fernando no lugar do Love aos 44 do segundo tempo, com 3 a 0 no placar, seja um enorme indicativo contrário.
Concluindo, dois detalhes do jogo de ontem me fizeram concordar ainda mais com o Juca Kfouri, que chama a seleção brasileira de "seleção da CBF". A primeira foi logo na entrada em campo, quando percebi as fitas pretas amarradas nos braços dos jogadores, sinal de luto. Inicialmente, pensei que alguma personalidade brasileira teria morrido, mas logo me corrigi, pensando "ah, deve ter sido o cachorro do Ricardo Teixeira ou um burocrata qualquer da CBF"; não deu outra, quem tinha empacotado era o diretor financeiro da CBF. Com todo respeito ao falecido e à sua família, nada a ver... A segunda foi na entrega das medalhas, quando os jogadores e a comissão técnica foram receber seus prêmios com uma camiseta azul, vagabundaça, com o logo, horroroso, da "campanha" do Brasil para receber a Copa de 2014, deixando de lado o uniforme mais tradicional e famoso do futebol mundial, a camisa amarela. Nossos capitães, Juan e Gilberto Silva, levantaram o segundo troféu mais importante para a seleção do Brasil com uma camiseta fuleira feita em alguma malharia de Maracaibo, numa demonstração clara das prioridades da CBF. Aí reclamam quando nossos maiores jogadores não se mostram interessados em vestir a camisa da seleção.
sexta-feira, 13 de julho de 2007
FESTIVAL DEMOCRÁTICO NO MARACANÃ
E o coitado do Excelentíssimo? Vaiado sempre que citado ou focalizado, ficou esperando o momento de declarar abertos os jogos e nem isso deixaram ele fazer. Estava lá, na frente da microfone, quando tomou uma puxada de tapete do Nuzman e de um burocrata da Odepa (que, aparentemente, sofria as conseqüências de um derrame). Aliás, vocês repararam que os dirigentes esportivos latino-americanos são sempre velhinhos, brancos e tem uma baita cara de f.d.p.? Bom, divago. Voltando ao ponto, bolei algumas teorias para a broxada presidencial:
1. Lula ficou puto porque não deixariam ele falar, depois do anúncio, que estava convencido que nunca na história dos jogos pan-americanos um presidente fez tanto pelo evento, e empombou que então não ia falar nada;
2. Lula tomou um empurrão do Haroldo, como é conhecido o ego do Nuzman, escalado especialmente pelo seu dono para essa missão;
3. O orçamento do Pan foi tão bem controlado e apertado que não sobrou dinheiro para um microfone decente para o presidente;
4. Lula, supreendido pelas vaias, estava ocupado demitindo o aspone que lê os jornais para ele todas as manhãs no Planalto e havia assegurado que sua popularidade estava em alta;
5. Lula achou que ia ter que repetir a frase em inglês e espanhol, e ficou constrangido;
6. Sérgio Cabral pensou que Lula fosse um bandido e acabou executando-o (Billy Shears já foi chamado para terminar o mandato do presidente).
E por aí vai. O pior é que o presidente estava visivelmente emocionado com a cerimônia e, pelo jeito, queria participar. Não deixaram, coitado. Fiquei com pena mesmo e, também, com uma estranha vontade de estar lá para abraçá-lo e apertar suas bochechas gordas. Estou quase convencido de que ele realmente não sabe de nada.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
BRASIL-IL-IL
Veja agora o caso do GP da Inglaterra. A transmissão foi um festival de ufanismo e de vitimização do Felipe Massa, que caminha a passos largos para tomar de Rubinho o posto de "brasileirinho-coitadinho-contra esse mundão" número 1 do esporte. Ora, o sujeito deixou o carro morrer, fez uma cagada monumental e depois não fez nada além da obrigação ao usar sua nave para ultrapassar Spykers, Hondas, Renaults, Red Bulls e Toro Rossos (opa, foi mal Rede Globo; o certo é RBRs e STRs), mas foi pintado como gênio pela Voz-Oficial. O Raikkonen, que usou a mesma nave para ganhar a corrida e ultrapassar o Massa na classificação, era só mais um. Hoje, no Globo Esporte, lá estava a Milena Ciribelli, toda serelepe anunciando a manchete: "Corrida fantástica de Felipe Massa"! Seguindo essa lógica, na final da Copa América a Argentina faz 5 a 0 no primeiro tempo, o Brasil diminui para 5 a 4 no segundo e a manchete será "Brilhante atuação do futebol brasileiro na Venezuela". Que fique bem claro: Massa é muito bom piloto, muito melhor que o Rubinho, e não precisa desse jornalismo medíocre da Globo; ele mesmo demonstrou isso na corrida da Malásia, quando cometeu um erro e o admitiu francamente, após a Voz-Oficial passar toda a corrida classificando sua patacoada como excesso de arrojo.
O problema da Globo é justamente esse, valorizar seus eventos a ponto de mascarar situações e até mentir. O que o departamente de jornalismo está fazendo com o Pan é digno de ser chamado de criminoso, deixando de lado o dever de informar a gastança desenfreada de dinheiro público em nome da valorização comercial de seus direitos de transmissão. Informar, quem sabe, que o Pan é irrelevante em termos de presença de atletas de ponta? Claro que não, o que importa é falar bem dos brasileiros. Falar que essa história de legado esportivo e Olimpíadas 2016 no Rio é uma grande mentira, mero projeto pessoal do sr. Nuzman? Imagina, o Brasil tem plenas condições de ser sede dos Jogos Olímpicos e da Copa. E dá-lhe imagens de cartolas e políticos inaugurando obras pela metade com um enorme sorriso, fazendo discursos sobre as maravilhas do Pan. E, pior, logo depois o repórter que estava ao vivo no local fala feliz da vida a temida frase: "e agora, de volta aos estúdios com Milena Ciribelli". Aaaaaargh!!!
P.S.: para verdades sobre o Pan, acesse o blog oportunamente chamado de A Verdade do Pan 2007.

